Carro novo

Este ano de 2017 começou da melhor maneira. Vou eu todo contente no meu carro a circular numa rua perto de casa, nem ia depressa nem nada, quando levo com um carro em cima num cruzamento porque o condutor esqueceu-se de parar no STOP. Conclusão, o meu carro andou de lado e ainda fui bater de frente contra outro carro que estava estacionado. O que vale é que o senhor assumiu logo a culpa. O chato foi ter que estar a preencher duas declarações amigáveis, uma para cada uma das batidelas, ainda por cima ao frio e à chuva.

Quando saí do carro fiquei surpreso com o estado do mesmo. A pancada pareceu-me ligeira, mas quando vi a frente do meu carro percebi que tinha batido com alguma força. Lá tive que chamar o reboque e enviar o carro para a oficina, na esperança de que rapidamente o mesmo estivesse reparado para não ficar muito tempo sem carro.

Acontece que o meu carro já tem 10 anos e pelos vistos quando os carros já são antigos e valem pouco as seguradoras preferem pagar o valor comercial do carro, caso o arranjo seja de um valor muito alto. Pois foi precisamente isso que se passou comigo. O valor do arranjo era bastante alto (quase 6.000€) e segundo as tabelas da seguradora o valor comercial é mais baixo, pelo que recebi uma simpática carta a dizer que iam declarar perda total e dar-me o valor comercial.

Portanto, sem ter qualquer tipo de culpa e numa altura em que não estava a pensar em trocar de carro, vejo-me com a árdua tarefa de escolher um novo carro “à pressa”, logo eu que demoro séculos a tomar este tipo de decisões (preciso primeiro de ler todos os artigos sobre carros dos últimos meses, consultar todos os fóruns, etc. etc.).

O processo de decisão

A primeira decisão a tomar era que tipo de carro comprar. Se fosse daqui a 2 ou 3 anos, que era o prazo que eu tinha definido para trocar de carro, sabia mais ou menos o que pretendia. Mas uma vez que temos outro carro a gasóleo cá em casa, que ainda é relativamente recente, não fazia sentido neste momento estar a comprar outro carro a gasóleo, porque as minhas deslocações diárias são muito curtas. E com as histórias todas que se ouvem dos filtros de partículas e das avarias que podem surgir quando os carros circulem pouco, não me quis meter nisso.

Assim, a primeira decisão estava tomada. O carro tinha que ser a gasolina. Esta decisão por si só foi suficiente para eliminar uma grande percentagem dos automóveis.

A segunda decisão foi se iria comprar novo ou usado. Como o imposto automóvel que se paga em Portugal é um autêntico assalto à mão armada, decidi que o carro seria semi-novo, significando isto um carro com não mais do que um ano e não mais do que 20.000/30.000 kms. Isto também já permitiu reduzir a escolha.

Terceira decisão: dimensão do carro. Carrinha? Carro? SUV? Bom, uma vez que, como disse, já temos um carro familiar a gasóleo cá em casa, afastei as carrinhas. Quanto aos SUVs, não é propriamente a minha praia. Seria portanto um carro e faltava definir o segmento. Como o outro carro é grande e este é para as minhas deslocações diárias e para levar os miúdos à escola, bastaria um carro do segmento dos pequenos familiares, ou seja, o segmento do Golf.

Quarta decisão: marca. Não foi muito fácil. Inicialmente resolvi considerar quase tudo, menos algumas marcas que não me dizem mesmo nada, como Citroen, Renault, Hyundai e outras do género. Mas considerei marcas como a Kia, que dizem estar a subir claramente de qualidade e ser uma das marcas mais fiáveis do mercado (e tem alguns modelos engraçados). No entanto, na minha mente já estavam definidas as marcas que eu sabia que gostava. As três marcas premium (Audi, BMW e Mercedes), a Mazda (considerada a BMW japonesa), a Volkswagen, a Ford (já vou no terceiro Ford e nunca tive razões de queixa) e a Volvo (marca que sempre admirei desde miúdo; quem não se lembra das fantásticas carrinhas Volvo 244?).

Destas marcas todas apenas ficaram a Audi, a Mazda, a Volkswagen e a Ford. A BMW apenas tem o série 1 no segmento que me interessava e eu não gosto muito do visual do carro e acho-o pequeno. A Mercedes tem o Classe A, mas tudo quanto é gato e cão tem um. É só Mercedes Classe A por todo o lado que até enjoa. Ainda por cima sempre o considerei um bocado carro de senhora.

Entretanto, como eu estava sem carro, a companhia de seguros atribui-me um carro de substituição. Fui buscá-lo e aparece-me pela frente um Peugeot 308 Sw. Pensei eu para mim “Eh pá, que seca. Um Peugeot? Um carro francês?” E eu à espera que eventualmente me calhasse na rifa um dos carros que eu queria comprar, para assim poder fazer um test-drive alargado! Mal eu sabia…

Bom, lá peguei no 308 Sw e fui à minha vida. Comecei a andar e passado um bocado estava a pensar no seguinte: “Espera lá. Este carro até é confortável. E o tablier até é bonito!”. Mais uns quilómetros e a conversa comigo mesmo era “E o motor parece andar muito bem!”. E lá fui eu até ao meu local de trabalho. E quando cheguei lá fui directo ao Standvirtual procurar Peugeots 308! Eu que nunca tinha sequer considerado uma marca francesa.

Tinha então a minha lista completa. Eis os modelos:

  • Audi A3 Limousine
  • Ford Focus
  • Mazda 3
  • Peugeot 308

Entretanto já devem ter reparado que a Volkswagen e a Volvo já tinham sido excluídas. A Volkswagen porque já tive uma má experiência com um Golf e a Volvo porque o V40 (“o” ou “a”?) é demasiado pequeno e caro.

Das quatro restantes, o Audi A3 foi rapidamente eliminado pois não se arranjam usados com motor a gasolina. Os portugueses definitivamente adoram os motores a gasóleo, é uma coisa impressionante.

Assim sobraram Ford, Mazda e Peugeot, das quais a minha preferência ia claramente para a Mazda. Acho o Mazda 3 um carro muito bonito, adoro o interior e tenho a Mazda como uma das referências em termos de fiabilidade, atributo que para mim é bastante importante. O Ford Focus não é lá muito bonito, além de que o interior é claramente o mais mal conseguido do trio. O Peugeot é bonito mas…é francês. Mas nada como fazer um test-drive a cada um dos modelos.

Mazda 3 Skyactiv-G 1.5 100cv

 

O Mazda foi o primeiro que eu experimentei, pois era a minha escolha número um. Tudo aquilo que li sobre a condução do carro verificou-se. O peso da direcção pareceu-me perfeito, os pedais têm a resistência certa, a caixa é uma delícia de precisão e suavidade, mas…e tinha que haver um mas, o motor é fraco. Em primeiro lugar eu estou habituado a carros a gasóleo e um motor que é preciso puxar para desenvolver é estranho. Pior do que isso é que por mais que puxasse não sentia nada. Também com cerca de 150 Nm de binário não há milagres. O motor é muito suave e silencioso e numa condução descontraída é muito agradável, mas basta precisar um pouco mais dele e já não responde.

Foi uma desilusão total para mim, porque de resto o carro é impecável e tenho a certeza que seria companheiro para muitos anos. Acontece que, ao contrário das outras marcas, a Mazda não desenvolve motores turbo de baixa cilindrada, preferindo apostar nos motores atmosféricos. Se ao menos o motor 2.0 de 120cv estivesse disponível em Portugal, mas infelizmente a fiscalidade portuguesa impede que tenhamos acesso a esse modelo.

Ford Focus 1.5 Ecoboost 150cv

Encontrei um Ford Focus de serviço com este motor, que nem sequer é vendido neste momento em Portugal (as vendas vão todas para o 1.0 Ecoboost 125cv). O carro estava carregado de equipamento, desde faróis bi-xenon e câmara de estacionamento traseira, até sistema de aviso de saída da faixa de rodagem, leitura de sinais de trânsito e mais umas quantas coisas. Só tinha um problema:

Pois é. A cor. Se calhar noutra encarnação era capaz de achar piada a esta cor. Mas nesta não acho. E, com muita pena minha, tive que eliminar o Focus da equação.

Peugeot 308 1.2 e-THP 130cv

Faltava testar aquele que à partida seria a compra menos provável. Admito que estava um bocado curioso em ver como é que se portava este pequeno motor tricilíndrico com apenas 1,2 litros de cilindrada e 130cv, mas não tinha esperanças que fosse grande coisa. No entanto, os 230 Nm de binário, pelo menos no papel, pareciam-me bastante respeitáveis.

Entrei no carro, rodei a chave e fiquei surpreendido com a suavidade do motor e o baixo ruído. Dei umas aceleradelas e gostei do “ronco”. Arranquei e praticamente aí decidi a minha compra. O motor é fantástico! Se me pusessem a conduzir o carro sem saber qual o motor, nunca diria tratar-se de um 1.2. Tem uma resposta muito convincente, que em nada a fica a dever ao meu antigo 1.6 TDCi com 110cv.

E assim terminou a minha saga. O escolhido foi o Peugeot 308 e espero não me arrepender e fazer muitos e bons quilómetros na sua companhia. Entretanto não vou resistir a ir vendo se a Mazda Portugal se decide a comercializar cá o 2.0 120cv!

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